prosinha desenhada: guitarra
dedilha as almas, desenha sons a rufar no peito com batucadas amorosas, rasga caminhos, constrói sonoridades nas memórias saudosas, inventadas, secretas e vivazes - a guitarra portuguesa é rizoma da minha existência – abraça-me o corpo, canta e desenha no sal da nossa voz.
Constança Lucas 2011
dedilha as almas, desenha sons a rufar no peito com batucadas amorosas, rasga caminhos, constrói sonoridades nas memórias saudosas, inventadas, secretas e vivazes - a guitarra portuguesa é rizoma da minha existência – abraça-me o corpo, canta e desenha no sal da nossa voz.
Constança Lucas 2011
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Prosinha desenhada: cores
as cores são desenhadas nas memórias, os contornos diluídos ou precisos das formas guardadas no silêncio individual carregam-nos nas espirais do tempo - com luz desenhamos instantes amáveis no percorrer dos matizes abraçados, assim como momentos agrestes dos matizes impostos.
Constança Lucas 2011
Constança Lucas 2011
Prosinha desenhada: guarida
abraçada a algumas palavras sonhei com os desenhos de cada letra, dei-lhes guarida dos destratos diários, lambi-lhes os sinais mais graves, soprei sons de timbres luminosos, acordada desenhei frases a fio como quem canta fados de horizontes marinhos.
Constança Lucas 2011
Constança Lucas 2011
prosinha desenhada: nove movimentos
semicerro os olhos, leio as letras miudinhas das palavras desenhadas nas águas, acredito no que dizem os desenhos, pego o livro das saudações e leio-te um poema de luto - melodias distantes voam lembranças habitadas nas nuvens que nos guiam os dias - sacudo os cabelos encharcados e peço-te um abraço perene - adormecida, o sol emerge num horizonte distante a espreitar os nossos quereres
Constança Lucas 2011
Constança Lucas 2011
Prosinha desenhada: melisma
no fado que é dado a alguns saber cantar, dança a voz em muitas notas para uma sílaba só, ornamentos melódicos com os poemas, fado que nos habita, ouvimos as vozes, com elas moramos, amamos mais longe, lamentamos o desconhecido, abraçamos docemente o bem querer do ser vivido, gostamos do fado para inventarmos amores e neles nos perdermos mares adentro, com as melismas a desenharem nossos sonhos
Constança Lucas 2011