sexta-feira, 25 de março de 2011

a morte, o barroco, o metro

sentada desenho palavras e sensações, a sala tem um teto alto e trabalhado com leves florezinhas em relevo, há janelas amplas, oiço palavras com sonoridade ibérica que nos fala de poesia experimental portuguesa, do barroco em Portugal, do barroco no Brasil e no mundo, estávamos na Casa das Rosas - de volta à minha casa, no metro, na estação consolação, as luzes apagam-se e ouve-se uma voz a dizer que houve o desligamento elétrico das linhas por impedimento inesperado - poucos segundos após alguém diz que uma pessoa tentou se matar e se atirou na linha - os comentários que se seguiram  deixaram-me estarrecida pela falta de humanidade

terça-feira, 22 de março de 2011

prosinha desenhada: letras são nome

onde as palavras nascem é segredo, não têm morada fixa, há uma linha imaginária entre o desenho de cada letra e os nossos desejos


Constança Lucas, março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Prosinha desenhada: Sempre fica algo por dizer

Sempre fica algo por dizer - espaço das palavras, livro escrito no corpo, vogais sopradas pelas carícias, um dia inteiro de poemas, sinuosas veias entrelaçadas,  raízes plurais do horizonte, ontem agora - sempre fica algo por desenhar.

Constança Lucas, Março de 2011

sexta-feira, 18 de março de 2011

Textualino - Revista de Artes

O “Textualino” é uma Revista de Artes online que visa, sobretudo,
a opinião crítica e a participação democrática em todas as áreas artísticas ...

segunda-feira, 14 de março de 2011

vibração

as memórias, são
em nós caminhantes
fissuras doloridas,
vemos partir gerações
nuvens de poetas,
cintilam, chovem
palavras e plumas,
desenhamos os dias,
choramos silêncios

Constança Lucas, março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

prosinha desenhada: adeus azul

rodopio os dedos, distraio a imaginação, desenho olhares e palavras na mesa, certa da não certeza de nada, o tempo resumido, tempo dolorido, saio a abraçar os livros, encontro o silêncio traçado a azul, finalmente choro num vagar onde as peles conversam, desenho as palavras atordoadas que inventam canções nas perdas dramáticas das línguas não beijadas, desenho páginas de frases que nunca serão ditas

Constança Lucas, são paulo,  fevereiro de MMXI, numa tarde solarenga e salgada

segunda-feira, 7 de março de 2011

Prosinha desenhada: diferenças

sempre soube que pouco sabia, mas dos cheiros, tenho faro apurado, seletivo, canino, seja o que for, o cheiro sempre disse, nas diferenças, nos sinais, sim muitos sinais, embrulhei-os e guardei-os no bolso, oiço, ainda, as histórias nascidas no momento inventado ao desenhar, descubro o prazer em pequenos desejos, em cada traço, nas vozes desenhadas na alma, o que já não me dizes também já não sei se sempre soube,  desenho  cheiros para me encantar