sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O meu trabalho na Revista Imaginário Poético

"Constança gentilmente cedeu suas imagens para apresentação no imaginário, mas são tantas e tão instigantes e belas que se torna difícil fazer uma seleção justa, isto é, na justa medida para se traçar um retrato, um instantâneo da produção visual e poética desta artista profícua. Sendo assim, escolhi algumas imagens que ilustram nosso post, mas deixo aqui os vários ..." 
... texto de Dana Paulinelli


in http://www.imaginariopoetico.com.br/2010/12/poetas-na-rede-constanca-lucas.html

Esperança

Comecei dezenas de vezes
não que não soubesse contar,
as palavras nos caminhos
de ouvidos e olhos dispersos, 
voltadas para o rio,
treinei o esquecimento
nas sílabas sem resposta,
apaguei os jornais por dias
fiquei sonâmbula por meses
sem saber quantas almas
em mim viviam, sem calma
nas minhas paisagens
as que mais sonhei ou desejei
inventadas por anos
sem saber o que sentir 
vou lendo as cartas dos mistérios,
nunca nada tem sentido,
crio-os por dentro e solto-os
os sonhos, existem na vida
a correr dentro de mim
como as águas procuram o mar
no desenho de quem respira
no vento adormecido
que nos leva no sono,
nem sempre somos iguais
ao nosso canto, por isso
comecei dezenas de vezes
a adormecer no colo
da esperança


poema de Constança Lucas

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

corpo

o paladar da alma derrama
nas  palavras deportadas
cada osso do esqueleto,
e as mãos, ai as mãos 
nos corpos de verão,
as nuvens vão altas
são as chuvas torrentes
lábios pedem lábios,
àgua e terra abraçam
sonhos sem silêncio, no sol

Constança Lucas, 2010


domingo, 5 de dezembro de 2010

Prosinha desenhada: repetição

falar das areias jogadas, no mar salgado em correrias, o nadar atordoado, o acordeão, as imitações e os cantares, os amores trocados, as palavras incertas,  a memória de estar,  é preciso falar de quem morre, a repetição é o que desenha a vida

sábado, 4 de dezembro de 2010

Prosinha desenhada: alma

 à beira dos desejos nos corpos desenhados, depois de viver cinco décadas desenho em mim os sons, cheiros e toques da pele na alma e guardo para sempre os prazeres da voz, nas palavras entoadas num mar que vive desenhado no meu querer e nesta quase certeza que a alma é horizonte.