terça-feira, 30 de março de 2010

Desenhos de Poetas da Língua Portuguesa

Desenhos de Poetas de Língua Portuguesa
Constança Lucas

Tenho pesquisado a palavra como desenho e a palavra como imagem, a palavra como desestabilizadora dos sentidos comuns, assim como a palavra desenhada na reinvenção do mundo.
Tenho em mim a Poesia como encontro, ligação dos traços, dos sons, dos perfumes, encontro de palavras e imagens escolhidas pela necessidade de reconhecimento do sensível.
Ao longo da história da humanidade os poetas participam da vida, do cotidiano, são seres sensíveis e pensantes que reagem à realidade inóspita pelos caminhos do sonho.
Fernando pessoa dizia “sigo o curso dos meus sonhos, fazendo das imagens degraus para outras imagens...” (Livro do Desassossego)
O desenho é a forma mais envolvente de vida, ao desenharmos adquirimos maior conhecimento. Desenhar os poetas pelos quais sinto aproximação poética é uma maneira de os conhecer mais profundamente, criar encontros vários e inventivos. Cada olhar tem uma força própria, é um poema em si mesmo, desenho os olhares, os retratos dos poetas cujos poemas vivem em mim.

Expor os desenhos / retratos dos poetas faz-se urgente que seja no meio de livros, nas estantes perto dos poemas - no seu habitat – a palavra – o poema – o livro - a biblioteca - a livraria. 
Em 2008 dezoito destes desenhos digitais dos poetas estiveram expostos na Livraria Alpharrabio em Santo André, e na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na av Paulista.

De 13 de abril a 12 de junho de 2010 vinte seis desenhos digitais / retratos dos poetas: Ana Cristina Cesar, Antonio Gedeão, Antonio Ramos Rosa, Camilo Pessanha, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Eugénio de Andrade, Dalila Teles Veras, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Herberto Hélder, Irene Lisboa, João Guimarães Rosa, Jorge de Sena, Luiza Neto Jorge, Manoel de Barros, Mário de Sá-Carneiro, Mario Quintana, Matilde Rosa Araújo, Ruy Belo, Sophia de Mello Breyner, Torquato Neto e Zeca Afonso, estarão expostos na Livraria João Alexandre Barbosa - Cidade Universitária - USP

Muitos poetas e seus poemas talvez sejam pouco conhecidos dos leitores brasileiros, mas é na construção destas pontes que há a possibilidade de uma partilha poética pelo idioma que nos é comum, com as suas deliciosas diversidades, e pelo desenho que é universal.

Constança Lucas

segunda-feira, 29 de março de 2010

Livro de artista - Odores

Autoria: Constança Lucas
Título: Odores
Ano: 2009
Formato: 12 cm x 9 cm
Número de páginas: 36
Técnicas: nanquim /tinta da china, tinta de caligrafia, tinta de caneta esferográfica, lápis de cor, grafite

domingo, 28 de março de 2010

Livro de artista - via lactea

Autoria: Constança Lucas
Título: Via Lactea
Ano: 2010, em processo
Formato: 18 cm x 15 cm
Número de páginas: 100
Miolo:papel pólen de 90 gr
Capa: tecido de algodão cor de laranja
Técnicas: colagem, nanquim /tinta da china, tinta de caligrafia,
 tinta de caneta esferográfica, lápis de cor, grafite

quinta-feira, 25 de março de 2010

Universidade - cada vez menos universal


Universidade


Datação
sXIV cf. FichIVPM


Acepções
 substantivo feminino
1    qualidade ou condição de universal 2    (sXV)     instituição de ensino e pesquisa constituída por um conjunto de faculdades e escolas destinadas a promover a formação profissional e científica de pessoal de nível superior, e a realizar pesquisa teórica e prática nas principais áreas do saber humanístico, tecnológico e artístico e a divulgação de seus resultados à comunidade científica mais ampla

 
3    Derivação: por metonímia.
     o conjunto das edificações e instalações físicas nas quais funciona essa instituição Ex.: vou à u. de ônibus

4    Derivação: por metonímia.
     o pessoal docente, discente e administrativo dessa instituição Ex.: a u. deseja escolher livremente seu reitor 

Etimologia
lat. universìtas,átis 'universalidade, totalidade; companhia, corporação, colégio, associação'; ver un(i)-; f.hist. sXIVhuniuersidade, sXV universidade, sXV uniursydade

terça-feira, 23 de março de 2010

Prosinha desenhada: bolsinhos

num bolsinho carrego pedrinhas da praia, noutro bolsinho guardo alfazema, no outro bolsinho habitam lápis e pedaços de papel dez por catorze centímetros onde desenho palavras que não direi a ninguém

sexta-feira, 19 de março de 2010

prosinha desenhada: venenos

areias soluçam nas frases triplas, entendimentos desaparecidos e são as palavras desenhadas com sílabas de intensa bilis, depois o descanso e a descoberta de novos olhares

quinta-feira, 18 de março de 2010

prosinha desenhada: vozes

uma voz habita em mim há anos, sussurra as palavras mais doces, morde-me acidamente quando a esqueço, percorro as marés no seu embalo, desenha ecos no meu coração, as vozes são inventos na eterna solidão,  traços desenhados e entoados em cantares recriados pelo instante.


Constança Lucas, março de 2010 em são paulo  num dia cheio de ecos

quarta-feira, 17 de março de 2010

Jacques Brel - Rosa





C'est le plus vieux tango du monde
Celui que les têtes blondes
Ânonnent comme une ronde
En apprenant leur latin
C'est le tango du collège
Qui prend les rêves au piège
Et dont il est sacrilège
De ne pas sortir malin
C'est le tango des bons pères
Qui surveillent l'oeil sévère
Les Jules et les Prosper
Qui seront la France de demain
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des forts en thème
Boutonneux jusqu'à l'extrême
Et qui recouvrent de laine
Leur coeur qui est déjà froid
C'est le tango des forts en rien
Qui déclinent de chagrin
Et qui seront pharmaciens
Parce que papa ne l'était pas
C'est le temps où j'étais dernier
Car ce tango rosa rosae
J'inclinais à lui préférer
Déjà ma cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango des promenades
Deux par seul sous les arcades
Cernés de corbeaux et d'alcades
Qui nous protégeaient des pourquoi
C'est le tango de la pluie sur la cour
Le miroir d'une flaque sans amour
Qui m'a fait comprendre un beau jour
Que je ne serais pas Vasco de Gama
Mais c'est le tango du temps béni
Où pour un baiser trop petit
Dans la clairière d'un jeudi
A rosi cousine Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis
C'est le tango du temps des zéros
J'en avais tant des minces des gros
Que j'en faisais des tunnels pour Charlot
Des auréoles pour saint François
C'est le tango des récompenses
Qui vont à ceux qui ont la chance
D'apprendre dès leur enfance
Tout ce qui ne leur servira pas
Mais c'est le tango que l'on regrette
Une fois que le temps s'achète
Et que l'on s'aperçoit tout bête
Qu'il y a des épines aux Rosa
Rosa rosa rosam
Rosae rosae rosa
Rosae rosae rosas
Rosarum rosis rosis

letra e música de Jacques Brel 1962

domingo, 14 de março de 2010

O segredo de seus olhos

127 minutos / Argentina/Espanha / 2009
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Eduardo Ssaaquieri e J.J. Campanella
Produção: Mariela Besuiesa e J.J. Camapanella
Musica: Federico Jusia
Fotografia: Felix Monti
Desenho de Produção: Rodrigo Tomasso
Direção de Arte: Marcelo Pont
Figurino: Cecília Monti
Edição: J.J. Campanella
Elenco: Ricardo Darín (Benjamín Esposito); Soledad Villamil (Irene Menéndez Hastings); Pablo Rago (Morales); Javier Godino (Gómez); Guillermo Francella (Sandoval).



Durante todo o filme  Ricardo Darín (Benjamín Esposito) está envolvido com as palavras desenhadas, escritas. Primeiro a sua tentativa inicial de escrever um livro, depois as cartas que fazem parte da investigação, os processos que escreveu durante dezenas de anos a fio, no emprego, com a máquina de escrever que não tem a letra A e assim é obrigado a desenhar manualmente todos os "às". O manuscrito do livro, as anotações, letras, frases, textos, a palavra sempre como desenho, como símbolo. 
Um filme que encanta pela forma simples e complexa de nos mostrar os conflitos sociais, políticos e amorosos. O filme é passado na Argentina país que é confrontado pela violência de todas as espécies.




brilhante atuação de Guillermo Francella

Um roteiro excelente, com senso de humor incrível, os atores são muito bons, os olhares são de uma intensidade derrubadora. A presença dos afetos entre dois seres humanos que se amam pelo olhar e lutam por justiça, é como que a dizer-nos apesar de tudo somos humanos e podemos amar.
O filme é uma trama policial de muita qualidade que abarca meia dúzia de narrativas paralelas, onde todos os personagens são construídos com um espaço próprio e com as suas  intrincadas contingências de seres viventes.
As cores são pictóricas por toda a película.
É uma linda homenagem à liberdade.
O "A" que é desenhado pelo Benjamim no fim do filme é de uma beleza especial.



Constança Lucas, março de  2010

sábado, 13 de março de 2010

CIRCULANDO EM OUTRAS DIMENSÕES - SESC Santos

CIRCULANDO EM OUTRAS DIMENSÕES
"Exposição coletiva e itinerante que propõe um diálogo entre imagens artísticas e imagens presentes no espaço urbano. Além disso, possibilita o intercâmbio entre artistas de diversas cidades e países. Curadoria de Regina Carmona. "



Artistas participantes: Alzira Fragoso, Ana Akaui,Angela Lotaif, Claudia BragaClaudia Tatit, Constança Lucas, Christophe Spoto, David Magila, Ely Miura, Flavia Fernandes, Jose Roberto Shwafaty Siqueira, Joyce Farias, Júlia Carmona, Laurita Salles, Lelena Santana, Lourdes Sakotani, Luciano Bortoletto, Lucila Meirelles, Luise Weiss, Marcia Rosa, Melissa Ferrauche, Natalia Corte Real, Regina Carmona, Reinaldo Batista, Renata Barros, Rodrigo de Carvalho, Rosa Esteves, Solange Sandoval e Sueli Vital.



Abertura dia 12 de Março de 2010 às 20h.
A visitação à exposição éGrátis 


De 12de março a 25 de abril de 2010.
Terça a sexta, das 13h às 21h30. 

Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30


SESC Santos na Área de Convivência
 Rua Conselheiro Ribas, 136 Santos - Brasil

terça-feira, 9 de março de 2010

Prosinha desenhada: vento dourado

há uma névoa dourada que paira em nós por estes dias, a luz desenhada traz-nos a doçura do verão terno nas peles e nas folhas que balançam, estes dias trazem-me alegrias do caminhar sem destino, num prazer de sentir o sol e olhar o céu sem tempo

domingo, 7 de março de 2010

uma mão abraça a outra



uma mão abraça a outra

na pele de cada dedo desenhos dos afetos

nos cabelos os cheiros

tateamos as nossas tranparências

nas costas e vertigens flutuam em aromas

no vento, sem ausência dos corpos

o sonho é desenhado nas sílabas em múrmurios

esquecemos a lucidez na sua não leveza

habitaremos corpos nos horizontes oceânicos
 
Constança Lucas 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Firmamento de palavras


recebemos as palavras nas peles

abrigamos nas vogais as canções mais doces

engolimos nas consoantes as letras mais amargas

sabemos das vírgulas mas respiramos depois

as nossas conversas vivem nas marés

as rochas desapareceram sem despedida

desenhei com algas nos teus pés gelados

no verão a pele arde encantada com o sol dentro das sílabas

nas cidades olhamos os céus e esquecemos o firmamento