terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Poema Visual: Sintaxe


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Prosinha desenhada: chuva


Chove na terra úmida e o silêncio goteja ruidoso. As esculturas fitam os regos construídos pelas águas na cidade que nunca se cala. Cúmplice desenho no meu colo e faço ressurgir as palavras do coração. Quieta e secreta deixo-me ficar enlaçada em sílabas.

Constança Lucas, fevereiro 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ruy Belo (1933-1978)


E Tudo era só querer
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer



Poema de Ruy Belo
http://cvc.instituto-camoes.pt/poemasemana/11/01.html





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mosteiro São Bento - em São Paulo

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Prosinha desenhada: traços sonoros

 

existem dentro de nós traços que não sabemos de onde chegam, são transportados nas ânforas carregadinhas de carinhos, depois enredam as almas, aninham-se, criam raízes profundas, cantam cânticos em traços sonoros desenhados nos nossos olhares

Constança Lucas 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Prosinha desenhada: chuva com horário em sampa

o vidro da janela fica arrepiado com as lambidelas da chuva intensa nos vidros, todos os dias, o calor abate-se um pouco, mas os raios esses não nos deixam nem repensar, tudo é marcado antes ou depois das chuvas, entretanto desenho os nomes e os pensamentos no embaciado

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Prosinha desenhada: ânforas


lufadas de ar quente estremecem manias,
ventos despertam as raízes, 
metidos em ânforas navegamos por mundos,
a querer o impossível

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Poemas Visuais na revista CINOSARGO

http://cinosargo.bligoo.com/content/view/709397/Poemas-de-Constan-a-Lucas.html

domingo, 31 de janeiro de 2010

Só dez por cento é mentira - Documentário / filme sobre o poeta Manoel de Barros



  • Site oficial: http://www.sodez.com.br/
  • Direção e Roteiro: Pedro Cezar.
  • Produtora: Artezanato Eletrônico.
  • Produção Executiva: Pedro Cezar, Kátia Adler e Marcio Paes.
  • Direção de Fotografia: Stefan Hess.
  • Montagem: Julio Adler e Pedro Cezar.
  • Direção de Arte: Marcio Paes.
  • Música: Marcos Kuzca.
  • Depoimentos: Manoel de Barros, Bianca Ramoneda, Joel Pizzini, Abílio de Barros, Palmiro, Viviane Mosé, Danilinho, Fausto Wolff, Stella Barros, Martha Barros, João de Barros, Elisa Lucinda, Adriana Falcão, Paulo Gianini, Jaime Leibovicht e Salim Ramos Hassan

Este filme documentário é de uma grande beleza plástica,
sonora, verbal, tudo é imagem poética. Muito bom!
CL 31 de janeiro de 2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

Depois das brisas


Deixai-me a caminhar pelas águas
o meu  rosto olha os espelhos da maresia,
retratos desenhados por instantes

pálpebras baixas e salgadas
estremecem nos desejos etéreos
as bocas tocam tudo e tudo cantam

os corpos deslizam, adormecem,
o mar silencioso ensurdece
os cheiros e os aromas das palavras

o poema habitará o silêncio
na paciência da ausência

Constança Lucas 30 de janeiro 2010

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Na Praça da Sé em São Paulo - Janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: chi coração

olho o mar, oiço o seu chiado, embrulho os pés na areia, desenho em mim as memórias de um chi coração enorme

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Convite para exposição coletiva de artes visuais


Exposição Um Livro sobre a Morte
Museu Brasileiro da Escultura

Av. Europa 218 - São Paulo SP BRASIL
abertura 03 de fevereiro de 2010
exposição de 04 a 28 de fevereiro



“Um livro sobre a morte” é um projeto colaborativo concebido pelo artista norte-americano Matthew Rose na Emily Harvey Foundation Gallery, em Nova York. A exposição original ocorreu durante o período de 10 a 22 de setembro de 2009. Cerca de 500 artistas participaram, cada um deles contribuiu com uma série de 500 obras de arte sob a forma de cartão postal, obras de tamanhos variados criadas especialmente para compor páginas desacopladas de um possível livro sobre a morte.

A exposição fez uma homenagem especial ao artista Ray Johnson (1927-1995), uma figura influente na arte contemporânea norte-americana, consagrado como o “Pai do Mail Art”, e como criador do The New York Correspondence School. A exposição também homenageou e consagrou a vida de Emily Harvey (1941-2004), que com a sua fundação apoiou e promoveu generosamente projetos de artistas Fluxus." ...

organizadora em São Paulo:
Angela Ferrara (atelierferrara@gmail.com) http://blog.angelaferrara.com




3 dos meus 6 postais que participarão da exposição

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São Paulo - fotografias tiradas hoje de manhã no centro da cidade, antes das chuvas


São Paulo

domingo, 24 de janeiro de 2010

Hanami

Hanami é uma palavra em japonês que quer dizer olhar as flores

Uma história de solidões, a sensibilidade, a ternura, esgotadas e reencontradas.
Trudi, Rudi e Yu personificam a procura do instante sensível.
As ligações de alma, os contrastes culturais, rituais e sonhos numa sociedade global que cultua a falsa falta de tempo.




Filme: Hanami Cerejeiras em Flor
Título Original: Kirschbluten - Hanami.
Origem: 
Alemanha / França, 2008.
Direção: 
Doris Dorrie.
Roteiro: 
Doris Dorrie.
Produção: 
Harald Kugler e Molly Von Furstenberg.
Fotografia: 
Hanno Lentz.
Edição: 
Frank C. Muller e Inez Regnier.
Música: 
Claus Bantzer.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Constança Lucas entrevistada por Oscar d'Ambrosio no programa Perfil Literário da Rádio UNESP

http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario/438_CONTANCA%20LUCAS%20OK.mp3


quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Escultura de Alfredo Ceschiatti na estação de Metro Sé em São Paulo


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: memórias

por vezes ficamos um tempo sem falar com algumas pessoas, conversam conosco repetindo velhas questões, mastigam ideias esquecidas ou guardadas numa gaveta longínqua da memória, as memórias têm a invenção, tudo se mistura, somos distantes tão distantes, oiço essas palavras novamente e vou desenhando em mim um distanciamento desses sons, dessas ideias, não sabia há muito existir, aprendo a viver com o silêncio como em criança

sábado, 16 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: Carta

os olhos cobiçam as palavras no envelope, o reconhecimento da letra dá-nos um sorriso esplendoroso, depois ah depois recolhemos cada letra desenhada e podemos a ela retornar vezes sem conta, guardá-la no bolso e com ela viver mais encantados, desenhar uma carta com os olhos, com o coração e com as mãos é um dos maiores prazeres

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Poemas de António Gedeão (1906-1997)

Fala do Homem nascido



Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

In Teatro do Mundo, 1958


Lágrima de preta



Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

prosinha desenhada: antes e depois

da janela do avião tudo fica tão pequenino, tão próximo do abismo do silêncio, tão longe das culpas adormecidas pela inércia, barcos de medo navegam pela memória  lentamente recriada, escrevemos cartas com as mãos enlaçadas ao crepúsculo e ao desenharmos palavras francas ainda há linhas no horizonte que cantam ou oferecem queixas do mundo  onde os amores deixam de ter importância depois do silêncio, antes as palavras ecoavam no mar cheio de mistérios

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: hábitos

beber água é um hábito, usar o computador é um hábito, dedilhar pelas teclas com letras desenhadas e construir palavras é um hábito, desenhar ideias é um hábito, sonhar é um hábito, ouvir rádio de manhã é um hábito, olhar plantas é um hábito, ler todos os dias é um hábito, desenhar sempre é um hábito, trabalhar é um hábito, beijar é um hábito, comer é um hábito, silenciar é um hábito, hábitos que inventamos e outros herdamos

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desenho Digital


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Poema Visual: Machismo-Veneno Mortal


Desenho Digital


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: Meloa


 A meloa tem casca, não lhe atribuímos pele, sua espessura, suas texturas rugosas cheias de desenhos em trama, abrigam polpas alaranjadas e carnudas, com pevides.
Cheira a verão e é redonda.

Escavamos o seu interior com uma colher que aborda os socalcos até às paredes.
   Cheira a maresia e a relva. Fruta da tarde à beira do mar em Sesimbra, do oceano ao norte e ao sul do equador.
   Cheira a contemplação, cabe na palma da mão. Neste lado do oceano a meloa é citadina.
   Cheira a memórias desenhadas à colherada.



Constança Lucas 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Poema Visual de Constança Lucas

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pátio do Colégio - São Paulo

domingo, 3 de janeiro de 2010

Exposição de Arnaldo Pedroso d'Horta



Prosinha desenhada: pudim de leite

Como um pedaço de pudim de leite com baunilha, há poucos, muito poucos dias deu-me para fazer vários doces. Os doces, não muito doces, acariciam a alma em cada colherada, dentada, mastigam as letras e com saliva desenhamos milhares de palavras, construímos frases internas, narrativas inteiras sem morada fixa...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Exposição: Arnaldo Pedroso d'Horta - Desenho da mão



"Arnaldo Pedroso d'Horta - Desenho da mão
é uma retrospectiva do trabalho do artista, com cerca de 120 trabalhos entre pinturas, gravuras, desenhos, fotografias e documentos, realizados entre 1940 e 1972. Artista plástico, jornalista, crítico de arte e ensaísta, Arnaldo Pedroso d’Horta (São Paulo, 1914 – 1973) escreveu uma série de artigos sobre a questão da criação artística, entre os quais “Desenho da mão”, cuja idéia central traçou o itinerário da exposição: as experimentações de linguagem que vão conduzindo o gesto criador na busca por uma expressão sempre mais precisa. Com curadoria de Vera d’Horta, crítica de arte e filha do artista. "

De 05 de dezembro de 2009 a 14 de março de 2010

Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 – fone 11 3324.1000
São Paulo - SP

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Prosinha desenhada: nove palavras

São carnais, vivem por todo o corpo, respiram todas as sensações, trazem em cada traço um desenho dos desejos, essas nove palavras moram dentro das metáforas vividas como um piscar dançante, acreditam que existam dez palavras com sal.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Hachi um cão lindo com uma bela história de amizade, este filme está nos cinemas aqui em São Paulo

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Prosinha desenhada: debruço-me sobre as palavras

Desvendo nos livros secretos as gotas de tinta nas águas, dançantes, curvas abraçadas, as palavras formam letras nos sonhos onde moramos, nas tantas ruas onde vivemos sem termos verdades.

Trovante - Saudade

Trovante - perdidamente

Florbela Espanca


Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)
http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/florbela_espanca/ser_poeta.html

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O poeta Carlos Drummond de Andrade ganhou um parafuso na testa


Os óculos do poeta são especiais demais e já foram tirados/roubados da sua escultura sete vezes, assim resolveram colocá-los aparafusados à sua testa.
Logo ele que tinha "parafusos" tão, mas tão diferentes e excelentes.

Fotografia tirada do site http://www.overmundo.com.br
a escultura está na linda praia de copacabana no rio de janeiro desde 2002