sábado, 28 de janeiro de 2012

Alpha 20 anos


Alpha - 20 anos de um nascer cultural 


             Alpha anotação antiga, alma antiga, privilegia os instantes dos fazeres e afazeres com especial delicadeza cultural.
            O fato de eu ser portuguesa fez-me conhecer a poeta lusitana Dalila Teles Veras, nos anos oitenta do século passado, através da revista Peregrinação, na qual eram publicadas criações dos portugueses espalhados pelo mundo afora. Não havia internet e as missivas eram intensas usando os correios.
                O Alpha surgiu vários anos depois, resultado do ativismo cultural da poeta Dalila e da Luzia Maninha, duas mulheres incansáveis na luta pela democratização cultural, só dando acesso se acessa. Muitas têm sido as atividades do Alpha: edições, boletins, exposições, saraus, venda de livros, site, blog, encontros vários...
                     Tenho participado com intensidade de muitas atividades culturais no Alpha especialmente com os meus desenhos. Gostei muito de fazer lá algumas exposições, com desenhos, pinturas, arte postal... sempre fui muito bem acolhida.
                 É um imenso prazer participar com os meus desenhos nos livros editados pela Alpharrabio Edições, o último livro em que participei é especialmente delicioso, pelos afetos envolvidos, pelos conteúdos gastronômicos tão especiais, pelo cuidado gráfico, pela amizade.
                    O Alpha fica em Santo André, eu em São Paulo, as duas cidades não ficam longe uma da outra, mas os excessos de São Paulo fazem-nos programar e medir todos os passos.
Assim grande parte do nosso convívio é virtual o que não diminui em nada a amizade, o interesse e a partilha.
                                O tempo é um nascer do sol, sempre fascina pelas múltiplas possibilidades e descobertas, os vinte anos do Alpha passam assim como um olhar para o sol e em troca recebemos um sorriso.
                               Bem hajam estas duas lindas mulheres Dalila e Maninha que apesar de todos os empecilhos fazem acreditar e acontecer sonhos, provam que ter esperança dá frutos muito importantes.

Constança Lucas, Janeiro de 2012


http://blog.alpharrabio.com.br/






sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Prosinha desenhada: estrelas

são as águas mutiladas de ardor quando os dias se desfazem sem sequer sabermos a cor das nossas manias, memórias recorrentes, repetidas, desgastadas ou apenas pensamos estar adormecidas nos regaços das noites desenhadas com as estrelas

Constança Lucas 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

Prosinha desenhada: mulheres

nos rostos mais lindos vi as maiores tristezas, olhos encharcados por dentro num caminhar de noites enevoadas, nas não delicadezas, solares sorrisos habitaram tais faces, perderam os rumos das mágicas e desenham como quem risca pedras abissalmente finas

Constança Lucas 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Leituras recentes: No céu dos cachorros de Renata Pallottini

No Céu dos cachorros
autora: Renata Pallottini
ano:2011
a linda foto da capa é da autoria de
 Mário Rui Feliciani

edição especial produzida
 por: Giordanus, em São Paulo
100 exemplares numerados
ganhei o número 48 da minha amiga
 poeta Dalila Teles Veras
ela sabe da minha paixão pelos cães
 e pela poesia



domingo, 15 de janeiro de 2012

Prosinha desenhada: chuva

oiço-a lá fora - chuva mansa num dia quente, já houve dias em que a chuva era só em dias frios, noutras latitudes. olho a água desenhada nos corpos resguardados no verão do sul.

Constança Lucas 2012

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

tempos

a pele aperta a alma
nos dias sabidos já findos,
são as noites audazes a
inventar amores com engenho,
consumidos pelo intento
desenhado nas montanhas,
depois das nuvens ao sol
carregamos a certeza
de tudo ser passageiro

Constança Lucas

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Prosinha desenhada: timbres

voz que me embala o sonho, atordoa-me o querer - são as vozes guardadas nos sonhos antigos e vindouros, é o traço, é a voz, é nossa memória, é o timbre - o timbre é eco meio onírico que nos desenha as almas

Constança Lucas 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

reLeituras recentes: As Magias



As Magias - versões de  Herberto Helder

Hiena editorial - Lisboa - 1987

  Este livro foi-me oferecido pelo próprio poeta em 1987. Leitora de Herberto Helder desde a minha adolescência, as releituras faço-as como quem retorna à muralha onde batem as ondas do mar e as palavras tomam sempre novos encantamentos.

Poeta que apresenta outros poetas e com este livro descobri a poesia de Edouard Roditi.

Publico aqui parte de um poema de Edouard Roditi:



"- A identidade dos contrários -

...

Sonho é a minha vida diária, cada dia
Simula e dissimula até a loucura
E razão serem ambas semelhantes,
E eu ajo enquanto sonho.

No sonho, o bom senso e a loucura,
Na loucura, o sonho e o dia a dia
Ligados, entre si todos semelhantes:
Sonhando ou acordado, sou louco e sou sensato. "

poema de Edouard Roditi (1910–1992) / versão de Herberto Helder


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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Poemas Visuais no Metrô




Exposições de Poemas Visuais de Constança Lucas no Metrô de São Paulo

- Dezembro de2011 - estação de metro Trianon /MASP (av. Paulista) São Paulo
- Janeiro de2012 na estação Sé - São Paulo
- Fevereiro de2012 na estação Luz - São Paulo



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Poema Visual Atrozes dilemas

Leituras recentes: Poemas com cinema

- desenho de Constança Lucas -
gosto de desenhar nos livros que leio, 
na folha de rosto e às vezes em muitas outras folhas



um livro com poemas de dezenas de poetas portugueses, 
ler estes poemas está a ser umencontro
 de tempos meus e não meus, numa partilha
 de quem sabe conversar a desenhar, desenharpalavras, 
por vezes no êxtase onírico das imagens cinematográficas.

Constança Lucas, dezembro 2011


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Exposição de Poemas Visuais de Constança Lucas - 10 a 31 de dezembro de 2011 - estação de metro Trianon /MASP (av. Paulista) São Paulo



Exposição de Poemas Visuais de Constança Lucas - 10 a 31 de dezembro de 2011 -
 estação de metro Trianon /MASP (av. Paulista) São Paulo

a exposição iniciará em dezembro na estação Trianon-Masp, 
em janeiro de 2012 irá para a estação Sé e em fevereiro para a estação Luz.



sábado, 3 de dezembro de 2011

poema

em ti me exalto,
outros tempos adormecidos,
recupero memórias, caixas
demoradas nas marés,
recolho-me nas conchas,
após conversas rasgadas

Constança Lucas 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Crónicas de São Paulo: Portugueses Passarinhos

Ontem na rua Luis Coelho na casa Garcia, existe lá há dezenas e dezenas de anos a vender coisinhas deliciosas tais como queijos, pães, paios, amêndoas, avelãs, pevides, etc ...entre tantas e tantas gostosuras estão as sementes descascadas de girassol. Lá estou eu com as minhas caixas de petisquinhos e no cimo as sementes de girassol, quando oiço a pergunta - "vai dar essas sementes aos passarinhos??" - era uma portuguesa espevitada que espreitava e curiosa não se conteve - respondo-lhe -são para mim mesma, gosto de as comer com frutas - "mas é comida de passarinhos não conheço portugueses que as comam" -  digo-lhe então - estas são para portugueses passarinhos -.

Constança Lucas 2 de dezembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

dóidói

veias, cabeça, dedos,
corpo entorpecido,
caminho nas águas
náufrago, sonho
sem palavras
dói, dódói
em pedaços de alma
atordoada
dói, dói, dói
secretos cantares
silenciam
dói, dódói
desenho a dor
com sangue
dói o dóidói


Constança Lucas /1982


domingo, 27 de novembro de 2011

Fado - Património da Humanidade

O Fado tem um espaço especial em Lisboa http://www.museudofado.pt/

"Desde a sua abertura ao público em 1998, para o Museu têm convergido os espólios de centenas de intérpretes, autores, compositores, músicos, construtores de instrumentos, estudiosos e investigadores, artistas profissionais e amadores, em suma, de centenas de personalidades que testemunharam e construíram a história do Fado e que não hesitaram em ceder-nos os testemunhos do seu património afectivo e memorial para a construção de um projecto comum. "



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Prosinha desenhada: delicadezas

nas pedras desenho os desejos,  as delicadezas desmoronam nas convulsões de palavras soletradas, são os muros do cotidiano a cantarem alto, nas experiências oníricas deixo-me levar, cantem, cantem as palavras mais doces para voltar a acreditar

Constança Lucas

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Prosinha desenhada: trilhas


As palavras desenham caminhos onde trilhas delicadas são construídas a cada leitura partilhada. Na força das frases e na lembrança do esquecimento, aninhamos nossas vontades oníricas.

Constança Lucas

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Prosinha desenhada: chuva

Prosinha desenhada: chuva

águas resvalam pela rua, as chuvas atordoam os caminhantes, as palavras encharcadas de lágrimas - dissolvem-se, as costas ardem com o veneno da picada anónima, fecho os olhos e desenho em mim nuvens.

Constança Lucas

sábado, 12 de novembro de 2011

Lançamento do livro: A Menina e o Sol



A MENINA E O SOL

de Constança Lucas e Julio Gonçalves Dias

Literatura Infantil

Editora Formato
Ano:2011
Número de páginas: 24
ISBN: 978-85-7208-748-3
Preço: R$28,90
Formato: 23 x 30,5 cm
Dia 23 de novembro de 2011,
quarta-feira, às 19h30
Local: Livraria SARAIVA
Shopping Iguatemi
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2.232 - Piso Faria Lima
Jardim Paulistano - São Paulo - SP

http://ameninaeosol.blogspot.com/

O livro A Menina e o Sol já estrá à venda na Livraria Saraiva: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3687706/menina-e-o-sol/?ID=BD26DA497DB0A160F250B1058

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Prosinha desenhada: 9 de novembro - norte e sul

Prosinha desenhada: 9 de novembro - norte e sul

Novembro de frio, o sol sorri tímido - desenho nos vidros embaciados, flores, casas, montanhas, mares, bichos, caretas, folhas, carumas e letras. Novembro de calor, o sol canta - desenho nos cadernos, letras, frascos, chávenas, árvores, rostos, animais, cidades, marés e pedras. Novembros desenhados a intentar ritmos e rituais na minha alma perguntadeira.

Constança Lucas­, novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

sábado, 5 de novembro de 2011

prosinha desenhada: guitarra


dedilha as almas, desenha sons a rufar no peito com batucadas amorosas, rasga caminhos, constrói sonoridades nas memórias saudosas, inventadas, secretas e vivazes - a guitarra portuguesa é rizoma da minha existência – abraça-me o corpo, canta e desenha no sal da nossa voz.

Constança Lucas 2011